Assim que um produto chega ao mercado, o trabalho do público em conhecer as novidades, se acostumar com todos os detalhes está apenas começando. Por outro lado, para a equipe de desenvolvimento o trabalho já terminou. A partir deste ponto resta ao grupo coletar dados e perceber a resposta das pessoas.
Com os video games não é diferente. O PlayStation 3 chegou ao mercado em novembro de 2006, e apenas um ano depois, Mark Cerny, já estava arquitetando como deveria ser o PlayStation 4. No final de 2007, ele já estava lendo documentos sobre a tecnologia de processadores x86 (a mesma arquitetura que acabou sendo empregada no PS4).
Cerny conta que, na época, passava a maior parte do seu tempo pessoal fazendo pesquisa sobre a tecnologia que deveria estar no próximo console. Com tanta paixão pelo projeto, ele acabou sendo designado para o papel de arquiteto chefe do PlayStation 4.
É claro que naquela altura não existia nenhum posicionamento sobre como deveria ser a próxima geração do console. Tudo o que existia era uma ideia na cabeça de Cerny: o PlayStation 4 deveria ser projetado com base nos desenvolvedores. Dessa forma, tudo seria muito mais simples para ambas as partes.
“A última coisa que eu queria era que o hardware fosse um quebra-cabeça para que os programadores pudessem desenvolver títulos de qualidade”.
Ele diz isso porque quando o PlayStation 3 foi lançado em 2006, o processador Cell era mesmo muito poderoso e estava acima dos padrões da época. Entretanto, programar para ele era notoriamente complicado; e isso chegou a atrapalhar a Sony no início.
Pesquisa para o desenvolvimento
Em 2008, o projeto já estava entrando em fase de definição, e Cerny começou a procurar pelos desenvolvedores do PlayStation 3, perguntando o que eles gostariam de ver na próxima geração. É claro que nada havia sido desenvolvido até o momento, tudo estava apenas em projeto.
Cerny comenta: “No meu primeiro encontro com os desenvolvedores, eu tinha um questionário onde eu só perguntei sobre seus pensamentos a respeito de o que a próxima geração poderia trazer. O maior retorno que tivemos, foi que eles (os desenvolvedores) queriam memória unificada”.
O PlayStation 4 será lançado com 8 GB de memória RAM GDDR5. Essa memória poderá ser acessada diretamente tanto pela CPU principal quanto pela GPU. Cerny acredita que essa estratégia poderá oferecer muita flexibilidade para os desenvolvedores.
O sistema também terá um processador com oito núcleos, e Cerny afirma que esse fator também foi decidido com base nas informações levantadas por ele junto aos desenvolvedores no início do projeto: “Nós rapidamente percebemos que precisaríamos incluir quatro ou oito núcleos. Mais do que isso exigiria técnicas especiais de programação para garantir a eficiência”.
“Definitivamente foi muito útil ter saído e feito essa pesquisa antes de se sentar para projetar o hardware” completa Cerny.
Quando o PlayStation 4 chegar ao mercado no final do ano, ele será o resultado de um trabalho que começou a ser idealizado em novembro de 2007, ou seja, cerca de seis anos de desenvolvimento foram necessários para que todos os detalhes pudessem ser pensados, planejados e projetados.
Fonte: AV Watch, Gamasutra
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